Hiponatremia em idosos, apesar do nome complicado, é uma condição relativamente comum, que apresenta um grande perigo a pessoas na terceira idade. Entenda o que é e quais são seus principais sintomas.
O que é hiponatremia em idosos?
Em uma linguagem não técnica, hiponatremia é a concentração baixa de sódio no sangue, causada pelo excesso de água em relação ao sal.
O sódio é um eletrólito vital, essencial para regular a quantidade de água dentro e ao redor das células, manter a pressão arterial e garantir o funcionamento adequado dos nervos e músculos.
No idoso, essa condição não é apenas comum, sendo uma das alterações eletrolíticas mais frequentes, mas também particularmente insidiosa e perigosa.
Em sua definição médica, segundo ROCHA (2011), a “hiponatremia pode ser definida como uma concentração de sódio sérico [Na+] abaixo do limite inferior da normalidade; na maioria dos laboratórios, isto significa [Na+] < 135 meq/L”.
Hiponatremia em idosos causas:
A hiponatremia no idoso raramente tem uma causa única, sendo classicamente multifatorial. Um dos principais desencadeadores é o uso de medicamentos, em especial a polifarmácia.
Destaque para os diuréticos tiazídicos (como a hidroclorotiazida), que promovem perda de sódio, antidepressivos (ISRS), anticonvulsivantes e anti-inflamatórios, que podem estimular a retenção hídrica; além de outras classes como IECA e BRA.
Outra causa frequente é a Síndrome de Secreção Inapropriada do Hormônio Antidiurético (SIADH), na qual o corpo retém água de forma inadequada.
Ela é comum em idosos com doenças pulmonares (pneumonia, DPOC), distúrbios do sistema nervoso central (AVC, traumatismo), certos cânceres ou no período pós-operatório.
A condição também pode surgir por perdas excessivas de sódio, seja por vômitos/diarreia persistentes, ou ainda por diluição do sódio no sangue devido a doenças que causam retenção hídrica, como insuficiência cardíaca, cirrose hepática e síndrome nefrótica.
Fatores comportamentais e ambientais contribuem significativamente, como a ingestão excessiva de líquidos (potomania), uma dieta muito restritiva em sódio ou a reposição inadequada de eletrólitos durante um quadro de desidratação.
Por fim, todas essas causas atuam sobre um terreno fisiológico já vulnerável.
O envelhecimento traz diminuição da função renal, alterações na liberação hormonal, redução da massa magra e um mecanismo de sede comprometido, tornando o idoso naturalmente mais suscetível a desequilíbrios no sódio sanguíneo.
Hiponatremia em idosos sintomas:
- Náuseas, vômitos e perda de apetite;
- Sensação de desequilíbrio;
- Alteração grave do nível de consciência: letargia profunda, estupor, sonolência incontrolável;
- Convulsões;
- Parada respiratória: devido ao inchaço cerebral que comprime os centros respiratórios.
- Coma.
Quais são as sequelas da hiponatremia?
A hiponatremia, especialmente quando não diagnosticada ou mal manejada, pode deixar marcas duradouras.
As sequelas não se limitam ao período de baixo sódio no sangue; elas podem alterar permanentemente a saúde, a funcionalidade e a qualidade de vida do indivíduo.
As consequências variam drasticamente dependendo da gravidade, duração e velocidade de correção do quadro:
- Mielinólise pontina central;
- Déficit cognitivo permanente;
- Aumento dramático do risco de quedas e fraturas;
- Aceleração da sarcopenia e da fragilidade;
- Dano renal.
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Fontes:
ROCHA, P. N.. Hiponatremia: conceitos básicos e abordagem prática. Brazilian Journal of Nephrology, v. 33, n. 2, p. 248–260, abr. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-28002011000200022



