Cuidados com idosos nas ondas de calor: o que fazer e não fazer

Uma idosa na frente de um ventilador se refrescando, perto uma garrafa de água

Além de verões com temperaturas mais altas, em praticamente todas as regiões do país, as ondas de calor têm sido comuns, mas afinal, o que elas são? Elas afetam a todos da mesma maneira? 

E, mais importante, há como proteger as populações mais vulneráveis das altas temperaturas? Entenda melhor quais são os cuidados com idosos nas ondas de calor

O que é uma onda de calor?

Uma onda de calor é um evento climático caracterizado por um período de temperaturas extremamente altas, que superam significativamente os níveis esperados para uma determinada região e época do ano.

Não se trata de um dia quente isolado, mas sim de uma sequência de dias consecutivos com calor anormal e persistente.

Na definição da Organização Meteorológica Mundial (OMM): uma onda de calor acontece quando, por pelo menos cinco dias consecutivos, a temperatura máxima diária é superior em 5°C ao valor médio esperado para aquele mês.

É importante destacar que não existe uma temperatura única que defina uma onda de calor para todos os lugares. 

O que é considerado normal em uma cidade do Nordeste pode ser extremamente alto no Sul do país. Por isso, a definição é sempre relativa ao clima habitual de cada região.

Por que idosos são considerados vulneráveis a ondas de calor?

Segundo a UNICEF,  Agência das Nações Unidas para a Defesa e Promoção dos Direitos das Crianças, as crianças, gestantes e idosos são os mais vulneráveis às ondas de calor

No caso dos idosos, há alguns motivos naturais para isso, que envolvem a fisiologia do corpo na terceira idade, a natureza do envelhecimento e algumas doenças comuns à idade. 

A autoregulação de temperatura diminui com a idade

Imagine que o corpo humano possui um sistema de ar-condicionado interno, cujo comando (o termostato) está no cérebro. 

Esse sistema é responsável por manter a temperatura corporal estável, em torno de 36°C, independentemente da temperatura externa.

Com o envelhecimento, esse termostato central se torna menos eficiente. O cérebro demora mais para perceber que o corpo está superaquecendo e, consequentemente, envia os comandos para se resfriar com atraso. 

Quando o idoso finalmente sente o calor, seu corpo já pode estar trabalhando no limite há algum tempo. Aí ele precisa diminuir a temperatura, certo? Outro problema aparece. 

O principal mecanismo do corpo para se resfriar é o suor. Quando o suor evapora da pele, ele carrega consigo o calor excedente, baixando a temperatura corporal. 

Porém, nos idosos, há uma diminuição natural do número e da atividade das glândulas sudoríparas. Isso significa que eles transpiram menos. Se o corpo produz menos suor, a evaporação é menor e o calor fica retido no organismo. 

É como se o motor do carro estivesse superaquecendo, mas o radiador não estivesse dando conta de resfriá-lo.

A sede (ou a sensação de sede) também decresce

A sede é o alarme do corpo para a desidratação. Quando estamos com falta de água, o cérebro dispara a sensação de sede para que bebamos líquidos. Nos idosos, esse mecanismo também sofre com o passar dos anos.

Há uma diminuição da percepção da sede. Eles podem estar com o corpo já desidratado, mas o cérebro não envia o sinal de alerta com a mesma intensidade. 

Por isso, é comum um idoso dizer que “não está com sede”, mesmo precisando urgentemente de líquidos. Essa é uma das principais razões para quadros graves de desidratação e insolação em idosos. 

O “trabalho” do coração em dias quentes aumenta

Em dias muito quentes, o corpo dilata os vasos sanguíneos próximos à pele (vasodilatação) para tentar dissipar o calor.

Esse processo faz com que o coração precise bombear mais sangue e com mais força para manter a pressão arterial adequada e levar sangue a todos os órgãos.

Se o idoso já tem alguma condição cardíaca prévia (muito comum nessa faixa etária), esse esforço extra pode ser excessivo, sobrecarregando o coração e podendo levar a complicações graves, como arritmias ou até um infarto.

O efeito “cumulativo” dos medicamentos

Muitos idosos fazem uso contínuo de medicamentos para controlar doenças crônicas. Alguns desses remédios podem interferir diretamente na resposta do corpo ao calor:

  • Diuréticos: aumentam a perda de água e sais minerais pela urina, facilitando a desidratação;
  • Anti-hipertensivos: podem potencializar a queda da pressão arterial causada pela vasodilatação, levando a tonturas e desmaios;
  • Antidepressivos e antipsicóticos: podem interferir na capacidade do corpo de regular a temperatura.

A mobilidade reduzida e as doenças pré-existentes

Idosos com problemas de mobilidade ou acamados dependem totalmente de seus cuidadores para se refrescar, beber água ou ir para um local mais arejado. 

Se o cuidador não estiver atento, eles ficam expostos ao calor sem chance de se proteger.

Além disso, doenças crônicas como diabetes, problemas renais, Alzheimer e Parkinson podem agravar ainda mais a vulnerabilidade, seja por afetar a circulação, a percepção do ambiente ou a capacidade de pedir ajuda.

Quando ir para um hospital por causa do calor?

Durante uma onda de calor, o corpo do idoso pode entrar em colapso rapidamente. 

Fique atento a estes sinais de alerta e, se qualquer um deles aparecer, procure atendimento médico imediatamente ou ligue para o SAMU (192):

  • Temperatura corporal muito alta: acima de 39°C a 40°C;
  • Pele muito quente, vermelha e seca: esse é um sinal clássico e perigoso, o corpo parou de suar, sem suor, não há como baixar a temperatura; 
  • Alterações neurológicas; confusão mental (não sabe onde está, não reconhece pessoas), convulsões, sonolência excessiva ou dificuldade para acordar, desmaio ou perda de consciência; 
  • Problemas respiratórios e cardíacos: dor no peito, respiração muito rápida e ofegante, pulso fraco ou muito acelerado;
  • Sintomas gastrointestinais: náuseas, vômitos ou diarreia. Os vômitos, em especial, impedem a hidratação oral e aceleram a perda de líquidos.

O que fazer enquanto espera o socorro?

Enquanto a ajuda não chega ou está a caminho do hospital:

  • Tente resfriar o corpo: leve o idoso para um local fresco e com sombra;
  • Compressas frias: aplique panos ou toalhas molhadas com água fria (não gelada) na nuca, axilas, pulsos e virilha;
  • Não ofereça líquidos se a pessoa estiver inconsciente, desorientada ou vomitando, pois há risco de engasgo.

Lembre-se: na dúvida entre “será que passa” e “vou ao hospital”, opte pela ida ao hospital. O corpo do idoso tem menos reservas e a desidratação severa ou a insolação podem ser fatais em poucas horas.

O que fazer em uma onda de calor: 

Hidratação constante

  • Ofereça água mesmo sem sede, a cada 1 ou 2 horas;
  • Varie os líquidos: sucos naturais, água de coco, chás gelados (sem cafeína) e gelatinosas;
  • Deixe os líquidos mais atrativos: águas saborizadas, sucos preferidos e bebidas diferentes;
  • Evite refrigerantes, bebidas alcoólicas e café, pois são diuréticos e pioram a desidratação.

Crie um ambiente fresco (mesmo sem ar-condicionado)

  • Bloqueie o sol: mantenha persianas e cortinas fechadas durante o dia;
  • Feche algumas janelas antes do calor começar: de preferência no início da manhã, prefira deixar para ventilar a casa à noite, quando o calor estiver mais ameno;
  • Use ventiladores com estratégia: posicione-os para renovar o ar. Se o calor estiver insuportável, molhe levemente os lençóis ou coloque uma bacia com gelo na frente do ventilador para espalhar ar úmido;
  • Use umidificadores de ar: sem essências, apenas ar fresco no ambiente;
  • Busque locais climatizados: se dentro de casa estiver muito quente, leve o idoso para passar algumas horas em shoppings, supermercados ou bibliotecas.

Adapte o corpo e as roupas

  • Banhos refrescantes: ofereça banhos com água fresca (nunca gelada) várias vezes ao dia;
  • Toalhas úmidas: coloque compressas frias na nuca, testa, pulsos e tornozelos.
  • Roupas levíssimas: vista o idoso com roupas de algodão, tecidos finos e cores claras. Nada de tecido sintético.

Refeições leves e frias.

  • Evite comidas pesadas e quentes (sopas, feijoadas). Elas aumentam o calor interno do corpo;
  • Aposte em saladas, frutas ricas em água (melancia, melão, laranja) e carnes grelhadas.

Adapte a rotina

  • Nada de sol: atividades ao ar livre só até às 10h ou após as 16h;
  • Evite esforço: nada de faxina pesada ou jardinagem nos horários mais quentes.

Vigilância redobrada

  • Nunca deixe um idoso dentro de um carro estacionado, mesmo que por “só um minutinho”;
  • Verifique como ele está durante a noite. Ondas de calor são perigosas também no período noturno, pois o corpo não consegue descansar e se recuperar do calor do dia.

O que não fazer em uma onda de calor:

Não espere sentir sede para se hidratar

Esse é o erro número um, especialmente com idosos. Como já vimos, a percepção da sede diminui com a idade. Se o idoso disser que está com sede, ele já está iniciando um quadro de desidratação. 

Ofereça líquidos o tempo todo, mesmo sem pedidos.

Não faça atividades ao ar livre nos horários de pico

Caminhadas, idas à feira ou jardinagem devem ser rigorosamente evitadas entre 10h e 16h, ou enquanto estiver quente. O sol e o calor estão no ápice, e o risco de insolação é altíssimo.

Não use roupas inadequadas

Evite tecidos sintéticos (como poliéster) que não permitem a pele respirar e retêm o calor. Roupas escuras também absorvem mais a radiação solar. 

O guarda-roupa deve ser de algodão, tecidos naturais, leves e de cores claras.

Não ofereça bebidas “fakes” de hidratação

Refrigerantes, bebidas alcoólicas e café são grandes vilões. Eles têm efeito diurético, ou seja, fazem o corpo perder ainda mais água e sais minerais, agravando a desidratação.

Não feche a casa completamente (sem ventilação)

Se bloquear o sol com cortinas é correto, fechar tudo e impedir a circulação de ar não é. O ambiente pode se tornar um forno. Mantenha uma pequena corrente de ar, abrindo janelas ou portas em lados opostos da casa, se possível.

Não ignore os sinais do corpo

Achou o idoso meio confuso, com a pele muito quente ou reclamando de dor de cabeça forte? Não espere para ver se “melhora sozinho”, esses são sinais de alerta que exigem ação rápida.

Nunca, jamais, deixe um idoso dentro do carro estacionado

Mesmo que seja por “só um minutinho” e com as janelas abertas. A temperatura dentro de um veículo estacionado sobe vertiginosamente em poucos minutos, criando um efeito estufa que pode ser fatal.

Lembre-se: prevenir é sempre o melhor caminho. Na dúvida entre fazer ou não fazer algo durante uma onda de calor, pergunte-se: “Isso vai ajudar a manter o corpo fresco ou pode aquecê-lo ainda mais?”. A resposta instintiva geralmente é a correta.

Fontes:

https://www.unicef.org/brazil/dicas-de-seguranca-contra-ondas-de-calor.

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