Sinais de demência em idosos: como reconhecer e agir

pessoa com a mão no rosto olhando entre os dedos

A memória falhar de vez em quando é normal em qualquer idade. Quem nunca esqueceu onde deixou as chaves?

Contudo, quando os esquecimentos se tornam frequentes e começam a interferir na rotina diária de um idoso, é preciso prestar atenção para verificar se são sinais de demência em idosos.

A demência não é uma doença única, mas sim um conjunto de sintomas que afetam a memória, o pensamento e as capacidades sociais de forma suficientemente grave para interferir com a vida quotidiana.

A doença de Alzheimer é a causa mais comum, mas existem outras. Reconhecer os sintomas precocemente permite diagnóstico, planeamento de cuidados mais eficaz e, em muitos casos, acesso a tratamentos que podem retardar a progressão.

O que é a demência?

Demência não é uma doença específica, mas sim um termo genérico para designar o declínio progressivo das funções cognitivas. Ao contrário do que muitos pensam, não faz parte do envelhecimento normal.

A deteção precoce dos sintomas de demência é fundamental por:

  • Permitir excluir outras causas tratáveis que podem mimetizar a demência, como déficits vitamínicos, infecções ou depressão;
  • Possibilitar intervenções farmacológicas e não farmacológicas que podem estabilizar os sintomas durante algum tempo;
  • Dar tempo à família para se organizar, tomar decisões legais e criar um ambiente seguro.

Qual é o primeiro sinal de demência?

Na maioria dos casos, o primeiro sinal é uma perda de memória de curto prazo que interfere no dia a dia.

Como esquecer informações recentes de forma recorrente, fazer a mesma pergunta várias vezes ou depender cada vez mais de lembretes para tarefas que antes eram automáticas.

Contudo, em alguns tipos de demência, como a frontotemporal, os primeiros sinais podem ser alterações de personalidade, apatia ou dificuldades de linguagem, e não tanto a perda de memória.

Por isso, qualquer mudança persistente no comportamento ou nas capacidades cognitivas deve ser avaliada por um médico.

10 sinais de demência em idosos

Nem todos os esquecimentos significam demência. O que distingue um lapso benigno de um sinal de alarme é a frequência, a gravidade e o impacto na autonomia.

1. Perda de memória que afeta o dia a dia

Não é apenas esquecer um nome e recordá-lo mais tarde, mas esquecer informações recentes de forma recorrente.

Com comportameentos como: fazer a mesma pergunta várias vezes, não se lembrar de compromissos importantes ou depender cada vez mais de lembretes e familiares para aquilo que antes fazia sozinho.

2. Dificuldade em planejar ou resolver problemas

Tarefas que exigem concentração e raciocínio lógico, como seguir uma receita, gerir as finanças ou calcular o troco, tornam-se confusas. O idoso pode demorar muito mais tempo a fazer coisas que antes eram automáticas.

3. Dificuldade em realizar tarefas familiares

Atividades rotineiras, como programar o micro-ondas, conduzir para um local habitual ou utilizar o comando da televisão, começam a representar um desafio.

A pessoa esquece as regras de um jogo de cartas que jogou durante anos ou não se lembra do caminho para o supermercado.

4. Desorientação no tempo e no espaço

Perder a noção das datas, das estações do ano ou da passagem do tempo é um sinal de alerta.

Em fases mais avançadas, o idoso pode desorientar-se mesmo em locais conhecidos, esquecendo-se de como foi ali parar ou de como voltar para casa.

5. Alterações na comunicação (linguagem e escrita)

Os sinais de demência em idosos manifestam-se frequentemente na comunicação.

A pessoa pode ter dificuldade em encontrar as palavras certas, chamar “coisa” a objetos vulgares, interromper uma conversa no meio por não saber como continuar ou repetir a mesma ideia várias vezes.

6. Colocar objetos fora do lugar e não conseguir refazer o percurso

É normal perder as chaves de vez em quando. Mas quem sofre de demência pode guardar objetos em locais ilógicos, como o ferro de engomar dentro da geladeira, e ser incapaz de refazer os passos para os encontrar.

Essa situação pode levar a acusações de furto dirigidas a familiares ou cuidadores.

7. Diminuição da capacidade de julgamento

Más decisões financeiras, como fazer doações exageradas ou cair em golpes, descuido com a higiene pessoal ou uso de roupa inadequada para a estação, são exemplos comuns.

8. Isolamento social e afastamento do trabalho ou passatempos

Diante das dificuldades cognitivas, muitos idosos evitam situações sociais, abandonam passatempos que antes apreciavam e mostram-se menos interessados em projetos de grupo.

Esse afastamento pode ser confundido com depressão, mas é muitas vezes uma consequência da perda de capacidades.

9. Alterações de humor e personalidade

A demência pode provocar alterações repentinas de humor: a pessoa fica confusa, desconfiada, ansiosa ou agressiva sem motivo aparente. Pequenas mudanças na rotina podem desencadear irritação extrema.

10. Perda de iniciativa

O idoso deixa de tomar a iniciativa para atividades simples, como preparar uma refeição ou sair de casa. Torna-se passivo e precisa que lhe digam o que fazer, contrastando com o comportamento anterior.

Quando procurar um médico?

Deve marcar uma consulta de medicina geral e familiar ou de neurologia se notar vários dos sintomas descritos e se esses estiverem interferindo na vida diária do idoso.

O diagnóstico envolve testes cognitivos, análises para excluir outras causas e, por vezes, exames de imagem.

Como saber se um idoso tem demência?

Apenas um médico pode fazer o diagnóstico. Mas a família está numa posição privilegiada para notar mudanças que fogem ao envelhecimento normal.

Para “saber” se deve procurar ajuda, observe se existem esses comportamentos de forma consistente:

  • Memória que falha no dia a dia: esquece conversas ou compromissos importantes e faz as mesmas perguntas repetidamente;
  • Dificuldade no que antes era fácil: perde-se a gerir dinheiro, a seguir receitas ou a usar eletrodomésticos que sempre usou;
  • Desorientação: confunde o dia, o ano ou perde-se em locais familiares;
  • Linguagem diferente: não encontra palavras comuns;
  • Mudanças de humor ou personalidade: torna-se ansioso, desconfiado, irritado ou apático sem motivo claro;
  • Objetos fora do lugar: guardar coisas em lugares ilógicos e depois não se lembrar.

Perguntas práticas para fazer:

  • O comportamento de hoje é uma mudança clara em relação a como ele(a) era antes?
  • Essas falhas estão afetando a independência (higiene, alimentação, segurança)?
  • A situação se mantém ou se agrava ao longo de semanas/meses?

Se a resposta for “sim” a várias destas questões, o passo seguinte é agendar uma consulta com um médico.

Quanto mais cedo for procurada ajuda médica, mais eficaz será o plano de cuidados e melhor será a qualidade de vida para todos.

Compartilhe esse artigo com quem precisa de informação. Leia também: “Como deve ser um lar para idosos com Alzheimer?” “Como escolher um lar de idosos para uma pessoa com demência?”.

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